Vou ficar devendo essa “Musa”

Não vou falar que ela era linda, pois isso é sempre óbvio.
Não vou escrever que ela tinha cabelos loiros (loiro não, castanho-claro, pois as loiras não existem mais) soltos contornando sua face..
Não vou destacar seus olhos azuis, alvos e brilhantes.
Não vou comentar sua boquinha rosada e o biquinho que fazia quando tentou arrumar o zíper da bolsa e não conseguiu.
Não vou exaltar como parecia um anjo quando dormia e, a cada sacolejo do vagão, ajeitava as madeixas que caíam no rosto.
Não vou dizer que foi a primeira que balançou para valer, pois foi a segunda vez que a vi, em dois dias seguidos. Milagre se tratando de São Paulo.
Não vou descrever mais nada, pois não há nada mais para dizer.
A beleza, simpatia e a graça dela dizia tudo.