Ele: jovem executivo em ascensão, especialista em alguma área que ninguém sabe exatamente o que é, mas que é importante e garante seu bom salário.

Ela: secretária de uma distribuidora de material de escritório e terminando a faculdade de História para compreender o mundo e quem sabe viajá-lo. Seu antigo sonho. Aliás, ela adorava sonhar.

Se conheceram na fila do cinema no shopping. Ele veio com aquele papinho besta:

- Você não é amiga da Sônia?

Claro que não era. Ela nem conhecia Sônia alguma, mas como achou ele simpático (e cara de pau, como ela gosta). Resolveu entrar na conversa do amigo de Sônia.

Depois de poucas palavras, já dentro do cinema, estavam aos amassos e beijos, onde quem olhava não sabia onde um começava e onde outro terminava. Com a liberdade do clichê básico.

O filme, “Um Beijo a Mais”, meio que já anunciava o prenúncio de um relacionamento conturbado, mas sem os risos da comédia.

Após os beijos, falaram sobre futilidades e assistiram (?) o filme. Saíram do cinema e foram comer alguma coisa. Ele, com seu carro zero KM, deixou ela, que só andava de ônibus, em casa.

Semanas depois engataram o relacionamento.

Como todo começo de namoro faziam o que todos os casais fazem: Saíam juntos, freqüentavam festas, teatros, cinemas, restaurantes. Chamavam-se por nomes bonitinhos. Ficavam até altas horas no telefone. Enfim, namoravam.

Após dois meses de namoro ela começou a reparar que ele se atrasava com freqüência e, em cima da hora, desmarcava compromissos, alegando trabalho extra, cansaço ou uma outra desculpa qualquer.

No começo entendia (como toda namorada faz no “começo”), mas com mais algum tempo de namoro, começou a ficar preocupada e desconfiada.

Numa peça que ela queria muito ver, O Fantasma da Ópera, ela, toda arrumada e na porta do teatro, recebeu a ligação dele, com a mesma história.

- Mômô (assim mesmo), não poderei ir. Beijos!

E desligou. Nem deu tempo dela gritar, espernear, argumentar ou qualquer coisa do tipo.

Não era possível, aquela era a peça que tanto queria ver. Era último dia e sairia de cartaz. Revoltada, ligou de volta no trabalho dele. Atenderam e avisaram que ele já tinha saído, no horário normal de sempre.

- Como no horário de sempre?
Os colegas de trabalho dele perceberam a mancada e, como não tinha jeito, falaram que ele sempre saía no horário, pois “hora extra era coisa de peão”.

Ela reconheceu a o estilo de falar dele e ligou na casa dele. Só ocupado.

Não queria acreditar, mas ele tinha uma amante.

Resolveu ir na casa dele, mas não pensava no que fazer, iria chorar? Berrar? Bater nele e na mulher? E se ela fosse grande, pois ela era pequena. Não tinha idéia do que fazer. “Chegando lá, eu vejo o que faço”.

Chegando na casa do namorado, entrou e, até o momento ainda não havia chorado, começou a desabar em cachoeira.

Ele estava em frente a TV segurando o controle de seu vídeo game, jogando Winning Eleven. Estava na Final.

Ela havia sido trocada por um Playstation 2.