Mais um 30 de Março de outono
E completei 25 anos. Um número considerado redondo (nunca entendi bem esse negócio de números redondos, não é tudo número?), significativo e com várias interpretações.
Quem casa e chega (ou agüenta) a 25 anos de casado comemora Bodas de Prata, quase um milagre e o símbolo do relacionamento duradouro.
25 também é um quarto de 100 (não diga). Ou seja, completei um quarto de século. Parece muito e importante.
Não sei, pela primeira vez estou me sentindo influenciado pelo aniversário. Influenciado de uma forma que ainda estou assimilando a situação. Talvez a coincidência de, finalmente, ter que me virar sozinho, tendo que me acostumar a não depender de mamãe para as coisas e tendo responsabilidades que antes não tinha, tenha surtido esse efeito também.
Efeito esse que senti dia desses, quando, sozinho em casa, caiu a ficha que saí de casa e estou construindo minha própria vida.
Estranho isso.
Deixar a infância da professora do prézinho, primeira paixão. Esquecer os amigos que já foram e não voltam mais. Largar de lado as brincadeiras de pique, mana-mula, o futebol na rua com os amigos. A cumplicidade dos irmãos de esconder as travessuras e as coisas que aprontava na escola para não apanhar em casa, e morrer com uma grana boa nisso.
Entrar para a faculdade e ver que a vida está mudando para valer e conhecer pessoas maravilhosas que influenciarão na sua vida até o fim dela.
Descobrir o primeiro amor verdadeiro e vivenciar juntos todos os planos futuros, que se apagam como a chama após se intensificar. Com o perdão da citação, Vinícius.
Ver que seus amigos estão crescendo, casando, tendo filhos, se separando e você continua na sua toada.
Planejar várias coisas e, algum tempo depois, ver que tudo veio abaixo e, com a mesma força de vontade, planejar tudo de novo.
Encarar as tristezas, como o pai que foi embora e não quis mais saber de nada, e conviver com elas, porque certas feridas não saram, apenas cicatrizam.
Enfim, olhar o futuro, correr atrás dos sonhos, dos amores e aproveitar o máximo que a vida oferece, esperando que, assim como passou o seu primeiro quarto de século, viva, pelo menos, mais meio século.



Diz aí!