Musa do Metrô (4)
Entro no vagão e, como bom paulistano treinado, corro para sentar. Me acomodo e, já pensando em puxar um ronco por causa do estado de sonolência, vejo ela entrar carregada com alguns pacotes. Sem lugar por perto – mas havia alguns mais para o fundo do vagão – me ofereço para segurar suas coisas.
Com um sorriso desses de fazer o sol apagar, agradece e me entrega um pacote com os jornais do dia.
Baixinha, bonita e com disposição, apesar de aparentar cansaço, puxo conversa.
Desde que essa seção começou, nunca havia conversado com nenhuma musa, ora por receio, ora porque ela desceu na estação seguinte. Mas Elisabeth – ou Beth – era diferente. Estudante de Ciências Contábeis, moradora da Zona Leste e funcionária de um banco no Centro, Beth é dessa garotas que você conversa uma vida e ressuscita só para falar mais.
Falamos sobre tudo que se possa imaginar num curto espaço de tempo numa viagem entre a Sé e o Itaquera. Desde nossas profissões, lugares onde moramos e nossos tempos de infância. Nem parecia que havíamos acabado de nos conhecer.
Como tudo que é bom dura pouco. Logo chegou nossa estação. Ela precisava ir para um lado, eu para o outro. De saco cheio de perder contatos, não pensei duas vezes e pedi seu telefone.
Ela deu! Nos despedimos com um forte abraço e fiquei pensando se ligava ou não…
Acho que amanhã vou perguntar o que ela vai fazer no feriado…



Diz aí!