Fazia tempo que não viajava acordado e não reparava nas belezas naturais entre o Jabaquara e o Santa Cruz. Como era de manhã, a fauna era bela e muito vistosa com várias moças desfilando seus modelitos e graça no frio de outono.

Mas, para variar, uma loirinha, com ares de executiva ou advogada, ofuscou toda a beleza das demais.

Baixinha, elegante, lindos olhos azuis claros, que cegava quem a encarava, além do rosto docemente delineado. Era a garota mais que perfeita.

Como toda pessoa com ar de importante, ela carregava uma pasta (ou fichário), a qual me ofereci para segurar, com o ar mais sereno e doce do mundo ela recusou. Prontamente reparei na aliança dourada em sua mão esquerda.

Pois é, o coração da jovial loira já tinha dono.

Apesar disso, não pude deixar de também reparar no sapatinho de “Minie” que ela usava: preto com bolinhas brancas.

Era engraçado, pois apesar da beleza da dita cuja não conseguia parar de olhar as três coisas: aliança, sapato da Minie e os olhos.

Reparei que minha subida e descida de olhares incomodava a moça. Parei e, como cheguei no Santa Cruz, desci para nunca mais vê-la.

Mesmo depois de descer fiquei pensando na loirinha e, viajandamente (ei Aurélio, palavra nova!), qual seria o nome dela: Camila, Fabiana, Daniela. Sei lá, ela tinha cara de Camila.

Perdido nos pensamentos não estava prestando muita atenção ao redor, tanto que o farol/sinaleiro/semáforo/sinal (escolha a região) abriu e, ao correr para atravessar a rua, trombei com uma moça, derrubando suas coisas.

Adivinha quem era?

A loirinha casada dos olhos azuis e sapatos de Minie.

Me desculpei, recolhi suas coisas e entreguei para ela.

Ao me despedir e seguir meu caminho, fiquei imaginado se o maldito em que não acredito (destino) não havia pregado mais uma peça.