Como se arrebentar no Kart - parte III
A bandeira amarela era sacudida em vários pontos próximos ao acidente. Quando chegaram perto de mim, e pensando em várias coisas, me perguntaram: “Está tudo bem?”. Óbvio que não estava, mas respondi:
“Me coloca de volta na pista, vai”.
Os caras meio que deram uma risada e começaram a puxar o kart, que estava ‘enterrado’ nos pneus, enquanto puxavam e ligavam ele novamente, perguntei se era normal uma cacetada daquela naquele ponto. Os caras responderam que o último havia atravessado os pneus e caído no barranco. Até que dei sorte.
Voltei para a pista, já com duas voltas a menos, e ainda meio tonto, quase entrei num ponto que nem era da pista. Fiz a volta devagarzinho e, conforme ia ganhando a maldita confiança, afundava a bota novamente.
A curva da placa já não fazia tanto com o pé embaixo, mas a da saída da reta da torre, que é uma curva cega, ia a mil, sendo o ponto que o kart exercia a maior força ‘g’sobre a gente. Não demorou muito e, ao passar por essa curva, fiz a seguinte também a mil, quando vi que poderia bater na subida, tentei frear, fazendo a curva.
Não deu outra. O kart perdeu a traseira, rodei e fui com tudo, mas com tudo mesmo, nos pneus. Como ali era uma área de escape, não me estrepei tanto dessa vez, mas voou pneu para tudo quanto é lado. O coitado do carinha que presta auxílio na pista me viu e soltou de bate pronto: “Você de novo”. Realmente, ele mal tinha acabado de arrumar a última bobagem que havia feito.
Nessa altura, já havia rodado na frente dos líderes, sendo acertado por dois, por conta dos pontos onde havia perdido o controle, feito várias rodadas tentando buscar o máximo de rendimento (ahahaha) e saído da pista para dar um passeio na grama várias vezes. Já nem sabia quantas voltas estava atrás do povo.
Ainda faltava uma. Lembra da curva das placas? Pois é, já havia recuperado a confiança e inventei de fazer ela com o pé embaixo novamente. Só para resumir, perdi o controle, passei pela área de escape, grama, brita e, finalmente acertei os pneus da placa da Honda (na foto da parte final, detalhe que a pista que corremos não possui a chicane que aparece na imagem). Ganhei prata!
Na última volta, o sangue havia esfriado e meu corpo doía muito. O coitado do carrinho 11, não era mais o melhor. O coitado deveria estar totalmente desregulado. Tanto que quando parei, ele continuou andando.




Diz aí!