Justo naquele dia ele resolveu almoçar sozinho, não que tenha enjoado da companhia dos colegas de trabalho, mas como ficou 10 minutos além do horário de saída, ninguém quis esperá-lo. Não se importava. Achava a idéia do “apito de fábrica” meio ultrapassada. Preferia sair ao término da tarefa, do que deixar as coisas de lado na metade.

Como todos havia ido a um restaurante mais caro, decidiu ir no de sempre, onde a comida é boa e o preço mais em conta. O único problema era a lotação do local, impossibilitando, às vezes, arrumar um lugar para sentar e comer, sendo a solução, muitas vezes, compartilhar a mesa com um estranho. Apesar disso, não foi muito difícil para ele arrumar um lugar para ficar.

Na mesa que escolheu não havia ninguém e, durante a refeição, não apareceu nenhuma alma para compartilhar o lugar.

Por mania inexplicável, não tomava líquidos enquanto comia, seja suco, água ou refrigerante, tendo dispensado dois garçons que perguntou se queria algo para acompanhar.

Ficou surpreso quando uma garçonete apareceu com um suco de laranja e deixou na sua mesa.

- Desculpe, mas não pedi nada.
- Eu sei. – falou com um sorriso simpático – foi a moça daquela mesa que te mandou.
- Quem? – perguntou ele estupefato.
- Aquela ali. – mostrou apontando uma garota quatro mesas à frente, à direita. – e pediu para te entregar isto.
- Bem… Obrigado!

Pegou o suco, olhou para a ruiva na mesa e agradeceu com um gesto.

Enquanto tomava o suco, desembrulhou o guardanapo e viu um número com uma frase: “8765-4321. Me liga, gatinho!”.

Mesmo achando o “gatinho” meio brega deu um sorriso, levantou, pagou a conta e foi embora, não antes de olhar a ruiva de cabelos longos, olhos castanhos claros e estatura mediana. Ela sorriu e ele retribuiu o sorriso.

Olhou o papel novamente, guardou no bolso e saiu com um sorriso de orelha a orelha com aquela sensação gostosa de “ganhou o dia”.