Acordou vendo a borboleta azul, estática, como sempre.

A borboleta que o encantava desde a primeira vez que a viu de relance numa festa, escondida atrás dos longos fios dourados. Ficou olhando e se apaixonou quando os fios foram afastados por mãos macias e viu a borboleta batendo asas e voando naquela pista de dança.

Continuava olhando a tatuagem na nuca dela, enquanto a dona da borboleta se espreguiçava e se virava para encará-lo.

Olhar fixo, enigmático e penetrante. As esmeraldas enfeitiçavam e paralisavam qualquer ação dele, que pensou em sair da cama, mas desistiu depois de ser imobilizado pelo olhar dela.

Olhar que junto com o beijo quente, úmido e profundo, quebrou o feitiço de paralisia estática.

Eles ainda estavam extasiados da noite de luxúria, paixão e fogo que haviam passado, mesmo assim, se amaram novamente.

Após o sexo, ele voltou a encarar a borboleta, que repousava estática e calma, embaixo dos fios dourados.

Decidiu deixar sua linda borboleta na cama e levantou. Preparou o café e levou para ela na cama. Ela estranhou a flor, mas subconscientemente, ele havia levado para o pequeno inseto de asas azuis.

As esmeraldas o olhavam e admiravam aquele homem gentil que levava café na cama para sua mulher amada.

Tomaram banho juntinhos, com ele admirando a borboleta, como se voasse durante uma chuva de verão.

Já era tarde e ela precisava voltar para seu casulo. Se arrumaram e ele a levou até sua casa. Se beijaram novamente. Ela desceu do carro e, à distância, ele ficou observando o bailar da borboleta, embaixo dos fios dourados, voando de um lado para o outro.

Ao sair com o carro da esquina, não deixou de sentir uma ponta de ciúmes quando viu sua amada borboleta azul entrelaçada com seu noivo, que a esperava na porta de casa.