“Atenção! Devido a uma falha do sistema de tráfego na região da Estação Armênia, da Linha 1 – Azul, os trens da Linha 3 – Vermelha estão operando com maior tempo de parada nas estações e velocidade reduzida”.

Quando ouço o aviso acima, é batata que vou me atrasar. Mesmo raciocinando que as linhas não têm nada a ver entre si para uma lascar com a outra, já me acostumei que, se um trem lá dos cafundós de Pirituba pifar, pode apostar que o restante de São Paulo vai parar junto. Questão de solidariedade.

Mas voltando ao meu início de manhã, relaxei e me conformei com a situação. Interessante que o trem veio normal e, até a estação do Tatuapé, estava tudo dentro do cotidiano. Até que começou a ir lento, lento, lento e parando. Entre o Tatuapé e o Pedro II foram quase 45 minutos. Para quem é de fora e não conhece a Linha 666 – Red Hell, para fazer esse trajeto costuma-se demorar 10 minutos.

Mesmo achando um absurdo tanta demora, quando saía da estação e se encaminhava para a Sé (onde 85% das pessoas descem) vem a mensagem apocalíptica:

“Atenção! Devido a uma falha no equipamento de linha na região da Estação os trens estão operando com a velocidade reduzida e com maior tempo de parada”.

Quando ouvi isso quase pedi para abrir a porta dentro do túnel mesmo para voltar para casa. Quem conhece São Paulo sabe que, se a Sé estiver com problemas, no mínimo você chega na hora do almoço no trabalho.

Como não tinha para onde correr, o jeito foi descer e encarar o caos. A multidão que havia para descer as escadas e embarcar no Metrô com destino ao Jabaquara era suficiente para lotar o Morumbi, Pacaembu e o Parque Antártica (a Fazendinha dá para lotar com um vagão só dos trens).

Sem ter como avisar que iria me atrasar, pois lá embaixo o celular não funciona, o jeito foi esperar a massa andar.

Pela primeira vez, em seis meses de São Paulo, senti falta de Guarujá. O povo estava, literalmente, se matando no empurra-empurra para entrar nas composições.

Como não sou besta, fui para a borda da plataforma, onde a confusão era menor. Por ser alto conseguia ver o que acontecia no restante da estação. Briga, empurra-empura, gritaria, enfim, um ótimo começo de manhã para milhares de trabalhadores.

Por causa da bagunça, toda vez que chegava um trem o povo espremia quem estava na frente que logo empurrava de volta para trás, o que causava “ondas” que “batiam” na escada (derrubando uns mais distraídos) e era refletida nas outras partes da estação.

Como disse, estava na borda e acompanhava todos os acontecimentos e as discussões até que numa dessas “ondas” fui espremido contra as barras de proteção da plataforma, onde me amassaram e esmagaram até não poder mais. Empurrei de volta e, quando ia voltar tudo de novo, um trem chegou na estação, abriu a porta e fui “arremessado” lá para dentro.

Sem chances de se mexer, só fui sentir alívio quando chegou a estação Paraíso, pois desceu metade do vagão e o trem apenas ficou lotado.

Depois dessa viagem emocionante, perto da estação onde desço, uma velhinha virou para mim e perguntou:

-Qual a próxima estação?

-Santa Cruz.

-Sério. O senhor pode dar o sinal para eu descer?

-Hã?

-Se o senhor pode dar o sinal para eu descer?

O trem parou abriu a porta e saí em disparada dando risada.

Depois de uma manhã assim, nada mais me surpreende nessa cidade.

Ps: Cheguei às 09:30 no trabalho.

Pps: Esqueça o que falei do Guarujá.