Depois de descobrir onde tinha ido parar minha mochila, fui até a Avenida Paulista, em um estacionamento, buscar a dita cuja. Na volta, na Estação Paraíso, eis que de botas cano alto marrons (não curto, mas ficou legal), calça jeans justa, blusa preta com um casaquinho de lã verde por cima e uma bolsa a tiracolo ela me dá… um empurrão.

Está certo que era horário de pico e nem estava prestando atenção, mas como funciono por “ação-reação” já me preparava para arremessá-la na linha, pois nem vi quem foi, quando ela me pediu desculpas e… aqueles olhos castanhos claríssimos me fitaram.

Sabe quando você pensa “Deus caprichou nessa”. Pois é, olhos cor de mel, rostinho rosado, cabelos pretos lisinhos e seios ‘normais’. Na medida. (quem acompanha essa série, sabe que todos são na medida rs).

Não consegui falar mais nada, fiquei olhando para ela enquanto o trem não vinha.

Claro que ao chegar o metrô, fui arremessado para dentro do vagão e a perdi de vista. Quando consegui me virar, eis que a vejo ali, parada, encostada na porta, mexendo os cabelos (isso é demais de poderoso para um homem) e roendo a unha?!

Sabe quando uma coisa deselegante se torna agradável?

Com ela aquilo não era ‘feio’, pois dava um ar de moleca e menina ingênua. Piramos.

Como eu não era o único homem do vagão, todos a admiravam, principalmente seus olhos claros e seu corpinho ‘simples, mas na medida’.

Quando ela percebeu que eu a encarava, rapidamente desviou o olhar.

“Não foi com a minha cara”, pensei.

Desencanei.

Parei de encará-la, mas ao descer na Sé resolvi dar uma última olhada… foi quando percebi que ela me fitava.

Fiquei ali, com cara de bunda trocando olhares com ela.

As portas se fecharam, ela sorriu e foi embora.

Como odeio essa cidade.

Como amo essa cidade.