Quando você está cansado, com uma baita mala de viagem e com muito sono o que você faz? Vai para casa?

Era o que eu deveria fazer, mas resolvi passar no shopping para ver um celular novo por não agüentar mais pagar interurbano por causa do meu número do litoral. Como foi coisa de momento, acabei indo ao Tatuapé e, por curiosidade, visitando o novo Shopping Boulevard Metrô, que fica do lado esquerdo da saída do Metrô (óbvio).

Shoppingzinho simpático, mas como a loja da Tim estava chapada, resolvi dar uma volta e acabei na frente do Cinemark. Num estalo, entrei na fila e perguntei qual era o próximo filme, a mocinha informou, comprei o ingresso e, junto com uma pirralhada, assisti Ratatouille.

Sinceramente, o melhor filme do ano!

Não estou brincando. Transformers e 300 ficam para trás, apesar de serem melhores em suas devidas categorias.

A história do rato Remy, que deseja ser um grande cozinheiro, é daquelas que só a Pixar sabe contar. Aliás, tirando Vida de Inseto que é bem infantil, alguém sabe indicar uma animação da Pixar que não tenha sido legal?

O desenho é um filme daqueles que você sai do cinema com um sorriso no rosto e pensando porque diabos tanto reclama da vida e, principalmente, de seu emprego/profissão.

Remy é um rato que vive junto com seu clã e família numa espécie de sítio, pertencente a uma senhora que passa o dia cozinhando, dormindo e assistindo televisão. Ao contrário de seus pares, Remy é diferente, pois gosta de apreciar bons pratos e sentir o sabor da boa comida, recusando-se a roubar e comer lixo. Por ter paladar e olfato aguçados, ao salvar o seu pai de uma maçã envenenada, o ratinho é destacado para identificar o lixo/comida que tenha veneno. Coisa que não deixou o muito feliz.

Por não comer o lixo que todo rato come, Remy vê na cozinha da simpática senhora a redenção e o escape para satisfazer seus desejos. Lá ele pode assistir o programa do maior chef da França, Auguste Gusteau, e experimentar pratos diferentes.

Compartilhando esse segredo apenas com seu irmão, depois de uma visita desastrosa à cozinha da dona da casa, todos os ratos são expulsos de seus lares pela velhinha armada com uma arma calibre doze.

Durante a fuga, Remy se perde da sua família e, junto com o livro e o fantasma (ou ilusão) de Gusteau, se vê perdido no esgoto. Sem comida e sem amigos, ele se vê perdido num lugar estranho e sem saber o que fazer.

Mas como o fantasma do cozinheiro estava aporrinhando suas idéias para que se descobrisse, ele resolve subir até a superfície e descobre Paris – numa das melhores cenas da Cidade Luz – e o restaurante de seu ídolo.

Nesse momento os destinos de Remy e o jovem Linguini, contratado para limpar e tirar o lixo do Gusteau, se cruzam.

Após Linguini detonar uma sopa e flagrar o rato arrumando a besteira que fez, o filme se desenvolve de tal forma que, se eu contar mais alguma coisa, é capaz de estragar.

Mas o fato de ambos terem que encarar as desconfianças do atual chef do Gusteau, Skinner, e depois, a ameaça de uma crítica devastadora de Anton Ego já faz imaginar que tudo é apenas um aperitivo para o filme que é o prato principal da temporada, mesmo sendo uma animação.

O que posso acrescentar a mais é que Ratatouille é um filme de amor. Mas o amor por aquilo que você faz. Sendo aquele amor que faz você largar tudo para correr atrás de um sonho que você quer realizar, seja algo grandioso ou simples.

Pontos Fortes

Se tem uma coisa que uma animação da Pixar não pode deixar de fora, são as referências e, para variar, Ratatouille tem muitas. Segue algumas:

  • Os vinhos citados no filme existem e, segundo dizem, são ótimos.
  • A inspiração no famoso chef Bernard Loiseau, que se matou depois que seu restaurante perdeu uma estrela no Guia Michelin, na composição do chef Gusteau. No filme, Auguste morre de desgosto, depois de uma ácida crítica de Ego
  • Vale ressaltar que, apesar de ser uma animação, o movimento dos ratos são perfeitos e idênticos aos dos ratos reais, dando uma certa aflição de ver Remy e seus familiares andando para lá e para cá.
  • Anton Ego é a perfeição dos críticos gastronômicos (de cinema, televisão, etc) em possuir um certo sadismo para destruir as reputações dos restaurantes.
  • Ego também narra o melhor comentário/monólogo da história do cinema no final.
  • Todo o tipo de lição escondida ou discreta no filme é interessante, sem precisar apelar para o famoso “lavem as mãos amiguinhos” ou “sou malvado e você é bonzinho”.
  • A qualidade técnica da animação da Pixar é de cair o queixo. Os pêlos dos ratinhos e os caricatos detalhes dos humanos são perfeitos.
  • Ratatouille é um prato típico da região sul da França.
  • Uma justa homenagem à França, mesmo muita gente não gostando dela.
  • Para encerrar, lembre-se “Qualquer um pode cozinhar”. (N.R. Será que isso vale para mim?)

Ps: Para variar, escrevi correndo e sem saco para reler. Caso acusem algum errinho, reportem nos comentários.

N. R.: O texto foi alterado e melhorado, pois, depois de reler, vi que ficou um lixo. Espero que gostem agora.