Saio do trabalho como um zumbi, não enxergando e raciocinando direito. Sigo até a estação do metrô e, após aguardar alguns minutos, chega a composição e adentro um dos vagões.

Ao entrar, ainda alheio ao mundo que está ao meu redor, reparo um gordinho, estranho, daqueles típicos que cresceram empinando pipa no ventilador e jogando bolas de gude no tapete da casa.

Olho para trás e vejo que ele está conversando com uma garota loira, cabelos compridos alta e muito, mas muito gostosa feliz em seus contornos, além de ser muito bonita.

Não que isso tenha sido um motivo para despertar de meu cansaço e neura, mas, realmente, não tinha como não olhar.

Fiquei encarando ela, traços árabes e um olhar que parecia invadir a alma. Só então me dei por conta que estava entre ela e o gordinho, que conversavam animadamente sobre faculdade, projetos futuros, vestibular, essas coisas.

Como o vagão estava lotado, não tinha como ir para outro lugar, então o jeito era ficar ali mesmo, atrapalhando a conversa do casal.

Para a sorte de meus devaneios, o gordinho estranho desceu na estação seguinte, deixando a Jasmine (sonhar sem nome não tem sentido) sozinha. O melhor, se despediu secamente, sem nem ao menos um beijo no rosto (vai ver porque eu estava no meio do caminho).

Ele saiu e acabei dando mais espaço para ela, mas, por essas coisas que só acontecem no momento, ela acabou indo para o lugar que eu estava e me apertando contra a porta com seus seios gg.

Se os homens que lêem essas mal traçadas linhas conseguirem imaginar a cena, morram de inveja, já as mulheres… morram também. Rs

Na posição em que estava era impossível não olhar para o decote dela ou para o seu rosto. Na dúvida olhava para os dois.

Toda vez que a encarava, ela desviava o olhar, mas quando olhava para seu majestoso decote, via que ela me olhava. Mantendo esse jogo por um tempo.

Não sei se, para esquentar a situação um pouco mais, ela propositalmente ajeito ainda mais o decote. Não preciso descrever como se sentia.

Para minha infelicidade, na estação seguinte teria que descer. Qual não foi minha surpresa ao descobrir que ela desceu também.

Com o tumulto, acabaram me jogando para a escada da esquerda, na contramão do lado que estou habituado a ir e o qual ela seguiu.

Conformado com o fim da brincadeira, ao sair da escada, cruzei com ela, que me deu um leve esbarrão, olhou para mim e sorriu com aquela cara que te deixa com vontade de ir atrás e levar para conhecer a lua, o céu e as estrelas.

Infelizmente fiquei só na vontade.

Esperei o outro metrô chegar, ao abrir a porta olhei o rumo que ela seguiu e vi Jasmine olhando para mim. Suspirei e ouvi a campainha do aviso de fechamento das portas. Ela sorriu e eu entrei. Quando o vagão passou por ela, parada atônita na estação, sorri.

Ela sorriu de volta, meio sem graça é verdade, mas ela não sabia que a janta quente me esperava em casa.