Rio de Janeiro

Hello povo!

E cá estou eu novamente na terra dos Cariocas. Povo simpático, alegre, hospitaleiro e muito legal, que sofre com a violência e também com um certo exagero da mídia.

Antes de falar sobre a minha primeira vez voando, uma leve introdução de como perder 100 reais em 10 minutos.

Primeiro, acorde cedo, aproximadamente às 9:30.

Depois, se arrume e saia de casa às 11:30 para chegar ao aeroporto 12:30.

Infelizmente, esqueça o fator trânsito e acabe chegando às 13:10.

Pronto. O check-in era apenas até às 13:00. Como seu vôo sai às 13:30 e ninguém vai deixar você embarca, remarque para o seguinte e gaste a simbólica quantia de R$100,00!!!

Como, teoricamente, a culpa é minha por ter perdido o vôo, essa grana já era, pois a empresa não irá me reembolsar.

A TAM agradece sua escolha pelo vôo!

Ódio mortal até agora.

Bem, quanto ao vôo, jurava que estava meio nervoso, mas depois desse estouro anal em meu bolso, fiquei muito puto e até esqueci que aviões caem e, geralmente, todo mundo se fode lasca.

Até a hora do embarque.

Quando vi o dito cujo taxiando e chegando perto do portão 3, com a voz simpática de curso de inglês dizendo “passageiros do vôo 3934, das 14:30, com destino ao Rio de Janeiro, dirijam-se ao portão 3” começou a me dar calafrios.

Lembrei da música-tema do filme do Tubarão

 

Para distrair, dei uma de turista japonês (aliás tinha um monte lá) e comecei a fotografar tudo. Quando entrei no corredor que dava acesso ao avião, parei com a palhaçada e guardei o celular.

Do lado da asa e do combustível que ela carrega

 

Encaminhei-me até a poltrona 11 A, com mais espaço para minhas pernas (e do lado da saída de emergência, rá) e fiquei lá esperando todo mundo se arrumar e se organizar, enquanto a chegava um monte de nêgo atrasado, o que levou meia-hora (lembrei dos meus cenzinho nessa hora).

Fiquei olhando as duas janelinhas que davam justamente para a asa. Como o Ronnie havia dito em algum comentário: “a vista era uma bosta”, mas era suficiente para minha expectativa (e para me deixar mais apreensivo também).

Quando todo mundo se arrumou e faltavam cinco minutos para a decolagem as aeromoças mostraram os procedimentos de segurança, como afivelar os cintos de segurança, colocar a máscara de oxigênio, rezar o pai-nosso e gritar desesperado, enquanto todos despencam para o inferno.

Enfim, a bodega saiu e foi taxiando pela pista, bem devagar, enquanto esperava outros aviões para levantarem vôo.

Durante esse tempo, folhei uma revista da TAM, olhei um folheto explicativo do Airbus A319, sobre o que fazer se cair no mar ou despencar na terra e, ainda assim, ficar todo mundo inteiro. Ri nervoso sobre a parte de correr e ficar a 300 metros do avião depois que ele cai.

Quando autorizaram a largada decolagem, o avião fez uma curvinha, parou e, não sei porquê, lembrei de todos os acidentes possíveis de aviões e que Congonhas só tinha 1800 metros de pista.

Confesso que foi irado.

No momento em que ele saiu em disparada não pensei em mais nada. A bosta te joga para trás de tal maneira que você limpa os pensamentos, embora jurasse que os 1800 metros tivessem passado fazia tempo, ele sai de um jeito que quando você percebe já está fora do chão e vendo a cidade lá embaixo.

Divertido passar a camada de poluição paulista e ver aquele monte de prédios lá embaixo bem pequeninos.

A primeira mostra a mancha de poluição de SP e a segunda é uma clássica foto de quem voa a primeira vez e não mostra nada, apenas a asa

 

Desliguei o celular novamente e, depois de comer, fui ao banheiro.

Nem tinha colocado o danado para fora e uma luz acendeu e começaram a bater na porta.

“Que porra é essa, ta caindo?”, pensei.

O comandante mandou todo mundo afivelar o cinto e sossegar no lugar, pois já estava chegando.

Jurava que tinha acabado de levantar vôo, mal aquecia o céu e já estava para descer. Fogo que com as batidas da porta, demorei para terminar com o número um no banheiro, guardei, lavei a mão e corri para meu lugar.

Olhei pela janelinha e vi o RJ. Fiquei com a tentação de ligar o celular novamente, mas resolvi não correr riscos. Fiquei olhando a cidade por cima e vendo como tudo era pequeno, parecia de brinquedo. Praias, ruas, morros, favelas, lagos, Ponte Rio-Niterói.

Só para não deixar em branco, pois não quis ligar o celular

 

Quando passamos pela ponte ele deu uma descida boa, com a mesma sensação da subida, mas ao contrário. Fez uma curva bem fechada e avisou que haviam autorizado a aterrissagem.

Lembrei que é nas aterrissagens que acontece a maiorias das merdas. Quando vi o aeroporto Santos=Dummont aí que fiquei apreensivo com aquela pistinha lá embaixo no meio d’água.

O avião começou a descer e só via água. Descendo com tudo e água. O mar se aproximando com tudo e nada de pista e a água cada vez mais perto. Me agarrei à poltrona quando vi que o mar se aproximava de um jeito que não queria e pensei:

Fodeu!

E ele bateu certinho, com um tranco desgraçado, na pista, desacelerando de um modo que senti meu estômago passando pela garganta.

Passada a desaceleração, ele fez uma curva, taxiou e soltou:

“Bem-vindos ao Rio de Janeiro!”

Durante esse momento juro que prometi que nunca mais entrava num avião. Até me acalmar e achar que foi tudo divertido e que era mais uma experiência no currículo.

Para minha sorte, ninguém percebeu que era virgem no vôo, talvez o casal de namorados nos bancos de trás, que me ajudaram a achar as mesinhas do lanche, o botão de ajuste da poltrona (que estava quebrado) e que pegaram minha chave quando deixei cair ao tentar pegar meu fone de ouvidos no bolso.

De resto, tudo tranqüilo, até pegar minha mala, totalmente amassada devido ao carinho que os carregadores devem ter dado à ela.

E assim foi minha primeira experiência de vôo e na ponte aérea RJ-SP.

Mais tarde falo sobre o hotel e o local em que estou hospedado.