Brasília

Definitivamente, Brasília é melhor que Recife.

Sei que meus amigos nordestinos vão ficar meio putos comigo, mas é verdade.

Hoje, para minha sorte e espantando a zica que dizem que me ronda, finalmente consegui conhecer uma cidade e, para minha felicidade, com sol, tempo bom e com tudo funcionando.

Cidade planejada e foto sem mostrar nada

O único porém é a secura da cidade. Aqui é muito seco e rapidinho a garganta seca, os lábios racham e o nariz irrita. Nada que água e idas constantes no banheiro não resolvam.

Mas vamos ao que interessa: falar sobre a capital do país.

Não vou falar como a cidade foi fundada e virou capital do país. Isso vocês viram na escola e na minissérie da Globo (se não viu, ainda dá tempo de se matricular, nunca é tarde para aprender e já existe o EJA e minissérie em DVD).

Vou dizer como é interessante fazer turismo num lugar que, teoricamente, não tem nada para se ver.

A manhã começou bem divertida, por causa de outros dois integrantes do bando acabei perdendo a van do hotel que levaria para o memorial JK, onde o José Wilker Juscelino Kubithéque Kubitesced Kubitschek está sepultado.

Biblioteca Nacional

Saímos andando do hotel ligando para as atrizes que estão com a gente para saber se a van estava longe, por causa de uma brincadeira do mané que ligou, a dita cuja foi embora sem a gente. Um ônibus vinha em seguida e, sem fazer a mínima noção do destino dele, subimos no dito cujo e embarcamos sem destino definido.

No caminho, tomamos uma ducha de um doido que molhava o gramado seco, ainda bem que era só água, senão o passeio acabava ali. Para nossa sorte, o ônibus rumou para o centro de Brasília nos deixando na rodoviária. Lá escalamos andamos até uma ponte e demos uma passada no Pátio Nacional. Um dos três shoppings da cidade.

Aliás, tudo aqui é nome óbvio. Nacional, Brasil, Capital, Presidente e por aí vai.

Depois de resolver umas pendengas no shopping, começamos nosso tour CVC.

Como boas pessoas cultas, na primeira fase da excursão fomos à Biblioteca Nacional, Museu Nacional, Catedral de Brasília e o Palácio do Itamaraty. Visitar para valer só a Catedral, pois não estávamos com saco de entrar e ver livros, esculturas ou seja lá o que significasse algumas artes que dizem que têm por lá.

Catedral de Brasília (juro que São João faz o sinal de ‘Vida Longa e Próspera’

Ao sair da Catedral, vi uma barraquinha vendendo lembrancinhas da cidade. Fiquei besta com a qualidade das miniaturas dos principais monumentos da cidade. Não eram aquelas coisinhas que vendem em todas as praias brasileiras, só mudando o nome do lugar. Era tudo feito em pedra (ou algo que lembre) e bem acabado. Comprei tudo, só esqueci da Ponte JK (sim, outro nome comum por aqui, criatividade não é o forte dos brasilienses), mas vou ver se roubo pego uma que tem no lobby do hotel.

Falando em ponte, na ponte curva do museu encontramos nossas amigas que haviam nos abandonado e ido para o Memorial do JK – que ficava a léguas de distância dali e que, por motivos óbvios, não visitamos. Nos juntamos e seguimos para a segunda parte do passeio.

Lembrancinhas da Capital

Antes, uma observação. Tudo na cidade tem coisas do Oscar Niemeyer, cada esquina (?) tem uma escultura, prédio ou monumento do arquiteto. Sinceramente não curto muito, há coisas legais, mas o excesso de curvas e espaço e a falta de vegetação interagindo com o ambiente deixa tudo seco (rá) e clean demais.

Voltando ao tour.

Seguimos para o Congresso Nacional, a visita mais óbvia de todas e, ao ver o gramado que dá acesso à entrada da casa de roubalheira leis, tive a brilhante idéia de dar um mosh naquela relva verde esvoaçante. Claro que me dei mal e, ainda por cima, fotografaram tudo. Sujei toda a calça, fiquei com alergia do gramado e dei uma leve ralada no braço. Apesar de ridículo, foi engraçado.

Leia a placa

Quando chegamos ao Congresso, os dois amigos foram barrados na entrada por estarem de bermuda. Mesmo afirmando que uma magrela com uma saia curtíssima havia entrado, foram voto vencido e ficaram do lado de fora.

Eu, com a minha calça toda suja de lama, entrei. Acho que, por já estarem bem acostumados com a lama, deixaram barato.

Não, não vou mostrar a seqüência

A visita era guiada. Uma camaronesa (??) explicou algumas curiosidades do Congresso.

Ela explicou que os salões são identificados pela cor do chão. O Salão Negro, da entrada, tem uma linha imaginária que divide a Câmara e o Senado. Lá acontece de tudo, velório, recepção com tapete vermelho para autoridades de fora, protesto, quebra-pau, entre outras coisas. Tudo que imaginar rola por lá.

Subimos para o Salão Verde (cor do tapete), onde uns jornalistas dormiam aguardavam algum deputado para colocar na parede entrevistar. Lá, nossa guia explicou que homens só entrariam lá de terno, como nenhum estava a rigor, as mulheres se solidarizaram e ninguém foi para aquele lado. Mudamos de lado e a camaronesa seguiu até a maquete do Congresso para mais curiosidades e coisas interessantes sobre o congresso. Aliás, as que mais gostei.

Antes de fazer a bobagem

Ela contou que o Congresso possui vários anexos para atender às maracutais necessidades dos parlamentares, que há uma passagem subterrânea para acessar esses anexos e que o vão do prédio divide a cidade e que não pode existir outro prédio maior que o congresso, sendo o mínimo de 28 andares para novas construções (juro que vi um maior) pois o céu tem que estar “limpo”. Ficou estranho, mas foi o que ela disse.

As melhores foram os esclarecimentos sobre os pratos do Congresso e a história dele ter o formato de um H, significar Humanidade.

Ela falou que o Niemayer disse que aquilo não significa porra nenhuma nada. No caso dos pratos, foi uma idéia que ele teve para deixar tudo mais bonito (???). Já, o H, a ponte que existe entre eles é para facilitar a vida do pessoal que precisa ir de um prédio para o outro sem tem que ir até o térreo e subir tudo de novo na outra Casa.

Um fanfarrão esse Niemayer!

Depois dessa breve explicação elucidativa, fomos liberados para ver as sessões que rolavam naquele horário.

De bermuda não entra e não adianta chorar

Nada de surpresas.

Na Câmara, dos 513 deputados, haviam 7 “trabalhando” discutindo algo que, provavelmente, não tinha a menor importância. Ficamos uns cinco minutos e saímos.

Fomos para o Senado e lá a porcentagem era maior. Dos 81, 37 estavam na casa, mas apenas uns 8 no salão.

Se eles representam o povo, deveriam trabalhar que nem o povo e serem obrigados a estar sempre presentes e no horário certo. Se pudesse, tirava foto de tudo, mas não podia entrar com nada nas tribunas.

Confirmamos que, realmente, ninguém trabalha nessa joça e fomos embora. Nossos amigos estavam lá de saco cheio de esperar e nos xingaram.

Seguindo para o Congresso

Procuramos um táxi grande e, após selecionar alguns, avistamos uma Zafira que cabia todo mundo, esperamos a tiazinha levar um Zé ruela qualquer no Congresso e voltamos para o Hotel.

Sério, achei Brasília uma puta cidade. O que estraga é o tempo seco. O povo daqui (e a mulherada) é uma mistura do Brasil inteiro sem um consenso geral de beleza ou feiúra. Acredito que de cada 10 pessoas, oito ou nove sejam funcionários públicos. Não sei se moraria aqui, mas com certeza, se passasse em um concurso, viria sem pestanejar.

Melhor lugar que visitei, nessas viagens, até agora.