Faz tempo que não escrevo algo que preste faça refletir por essas bandas.

Como o assunto do momento são as eleições (e a crise financeira) achei por bom tom dar minha opinião sobre o assunto.

Como sobre São Paulo, capitais do Brasil e cidades-centro de regiões metropolitanas já foi falado tudo que tinha direito, vou salientar sobre a minha última eleição na cidade em que passei 15 anos da minha vida.

Acho que já falei aqui como “amo” Guarujá, por conta de seus diversos problemas e do povo que lá vive (estou com preguiça de procurar os textos e inserir os links), como o atual prefeito se mostrou uma decepção completa (o turco tem mais de 100 processos nas costas, fora as suspeitas e acusações que o cercam) fiz questão de descer a serra e fazer valer meu dever cívico.

A grande questão era em quem votar, pois as outras opções não eram assim tão boas, com exceção de uma, mas que possuía um problema onde o simples fato de me fazer digitar 1-5 já me fazia pensar no assunto.

Como conhecia a pessoa e seu histórico, ignorei esse pequeno problema e mandei bala na urna eletrônica, torcendo para ela ir para o segundo turno e acabar com a dinastia turco-otomana na cidade.

Qual não foi minha surpresa, ontem, quando cheguei em casa e vi que a Professora Maria Antonieta, docente de escola pública e íntegra em todas as suas participações políticas até aquele momento – vereadora e assessora parlamentar – era a nova prefeita de Guarujá, eleita em primeiro turno e derrotando a máquina pública e o jogo sujo do atual alcaide.

Antonieta, agora excelentíssima prefeita, não só derrota um governo de mandos e desmandos, como humilha o careca do poder, não dando chances para um provável segundo turno que era dado como certo, mostrando que o povo do Guarujá, quem diria, aprendeu a votar em eleições majoritárias.

Só falta aprender a votar no legislativo, mas isso é questão de tempo.
Agora, caindo na real e pensando num futuro governo peemedebista-feminino na cidade, vou especular sobre os prós e contras dessa nova era na cidade litorânea e porque isso pode dar certo e errado na Ilha de Santo Amaro.

Prós

A integridade e honestidade de Antonieta;
Como não teve segundo turno, não precisa fazer acordos escusos para receber mais apoio;
Uma mulher no comando;
Provavelmente cortará gastos e enxugará (e bem) a máquina
Investimento na área social;
Por ser professora, dará boa atenção para a educação;
Propostas pé-no-chão, sem grandes arroubos de megalomania;
Vontade de trabalhar;
Adepta do governo participativo e popular, oferecendo diálogo para a oposição e a população.

Contras

Sua vice é a viúva de um dos maiores coronéis do Guarujá, com a família querendo recuperar o poder;
Sua base na Câmara não é muito boa e, provavelmente, terá que ceder (ou se vender) – e muito – para poder governar;
Falando em Câmara, a forte oposição que irá encontrar, ainda mais com muitos sanguessugas de volta à Sala Santos=Dummont
A provável dívida que irá herdar da atual gestão;
Rezar para a prefeitura não ser, literalmente, saqueada até primeiro de janeiro;
O bando de encostado que está na PMG que, provavelmente, vai infernizar sua vida;
Os encostados da época do coronel que, provavelmente, vão querer voltar com o aval da vice;
A famosa turma do quanto pior, melhor;
A pressão por mudanças imediatas podendo transformar a esperança da população em decepção;
E, por último, a corrupção endêmica de Guarujá, cidade que foi considerada a terceira mais corrupta do Brasil.

Enfim, é isso. Até deu vontade de voltar para a Ilha de Santo Amaro, mas, apesar de otimista, não sou burro e, como estou muito bem aqui em Sampa, já, para a próxima eleição, irei transferir meu título para a (ex) Terra da Garoa.

Desejo muita sorte à Professora Antonieta e, espero, que consiga realizar um bom governo em Guarujá.

Encerrando o assunto, quanto às eleições, mais importante que o voto, é a fiscalização da população. Não adianta reclamar da política para o seu vizinho, colega de trabalho, cônjuge e amigos, se você não assiste à uma sessão da Câmara, não acompanha o trabalho de seu parlamentar/prefeito/governador/presidente e não se preocupa com o que acontece ao seu redor.

Se a população começasse a reclamar diretamente para eles seja, ligando, visitando, mandando e-mails e tudo mais, pode apostar que o Brasil não seria a referência em corrupção que é hoje e, com certeza, isso aqui estaria menos pior.

Mas ainda acredito que tudo vai mudar um dia.

E tenho dito.